eu queria ter todas as respostas. mas não tenho.
Carta originalmente escrita em 09/04/2009Hoje foi um dia excepcional. Digo, estou de folga do trabalho, algo raríssimo. Estou em casa, sem me preocupar com isso ou aquilo. Então, eu deveria apenas curtir o dia e relaxar. Eu sei que tenho milhões de pendências e assuntos mal resovidos, trabalhos da facu, etc. Mas eu simplesmente não consigo relaxar. Faz três dias que eu não dou sequer um sorriso. E isso é ruim...Sei que minha mãe se preocupa, mas acho que ela só piora a situação. Eu estou me sentindo mal, deprimida, posso??
TENHO ESSE DIREITO?
Quando estou feliz, não tenho que ficar me explicando. Por quê a tristeza é algo tão ruim? Por quê temos que ter um motivo para isso?
Para saciar sua curiosidade eu digo:
- mãe,estou triste por 5 motivos:
1 - problemas com dinheiro. Isso não deveria me afetar, mas afeta. Eu não quero me importar, mas me importo...
2 - estou escrevendo uma história de amor e na vida real eu nem sequer tenho uma vida amorosa.
3 - problemas de natureza pessoal. coisas de mulheres. estou gorda, meu cabelo está péssimo, e assim vai...
4 - estou cansada das pessoas e de suas atitudes mesquinhas.
5 - acho que tenho motivos suficientes para justificar minha tristeza!
agora eu posso ficar sozinha com minha tristeza? posso?
Tem um filme que adoro e ele me deixa incrivelmente inspirada. Chama-se "Eu e as Mulheres". Deito na minha cama, tento ao menos relaxar. Mas o filme me deixa inquieta. Pode-se dizer que minha tristeza vem da minha inquietude.
Fases inquietas costumam ser questionadoras. E questões costumam vir acompanhadas de desilusões.
minha vida + inquietude + questionamentos= desilusões
Eu estou desiludida com minha vida.
Realmente. O Adam Brody deveria animar meu fim de tarde. Normalmente ele daria conta. Mas não hoje...
Visto uma roupa e digo à minha mãe: - Vou caminhar!
- Como assim? questiona minha mãe.
Preciso ter motivos para caminhar, então digo que vou à locadora alugar um filme.
- Ok! Aproveita e compra cigarros prá mim !
- Tá bom, mãe! (vou comprar essa droga suicida)
Lá vou eu. Caminhar me lembra os bons tempos. Não que eu seja velha. Não sou. Tenho 26 anos mas aparento menos. E talvez não me sinta como um adulto de 26 anos. Não sou. (tenho momentos de maturidades intercalados com momentos de imaturidades, é minha constante evolução!)
O Carter do filme diz:
"-Não consigo ajeitar minha vida. Tenho 26 anos. Sou saudável. Sou competente. Tive todas as oportunidades.Meus amigos estão casando e tenho filhos...e eu estou tão longe disso."
Eu amo o roteirista que escreveu isso.Porque ele conseguiu resumir em poucas palavras as aflições de uma geração!
Estou consciente de que eu não consigo ajeitar minha vida. Tudo parece estar correndo bem, mas a sensação que eu tenho é que tudo está fora do lugar.
Nada parece se encaixar.
Eu sou um quebra-cabeça sem nenhuma peça no lugar.
Então, eu pensei na caminhada. Eu precisava andar e deixar meus problemas pelo caminho. Eu precisava pensar na minha vida. Bendito dia de folga!
Engraçado que o trabalho e a faculdade não me permite parar para pensar um minuto sequer na minha vida.
Isso parece bom. Mas isso também pode se tornar uma grande bola de neve e vir à tona quando você menos espera. E isso pode ferrar com sua cabeça...
eu estou ferrada. definitivamente.
Não posso me esconder tanto tempo do vazio, posso? Não posso fingir que o trabalho, a faculdade, amigos, família, etc, podem preencher esse vazio, ok?
Eles só podem preencher um espaço, mas não o todo.
Voltando à caminhada. Isso me lembra quando eu tinha 19,20 anos e não tinha maiores preocupações. Eu costumava caminhar até a biblioteca e mo caminho ficava pensando no futuro e em toda a ansiedade que ele gera. A vida para mim ainda era ingenuamente simples. Se eu soubesse antes que ser jovem e livre era tão bom, tinha aproveitado intensamente cada segundo.
Eu penso que temos tantos problemas que, para descomplicar nossa vida, deixamos alguns questionamentos para trás. E o tempo passa...até que um belo dia nós esquecemos das perguntas e os sinais de interrogações somem até que, num belo dia, eles voltam para nos atormentar!
eu queria ter todas as respostas. mas não tenho.
Conexão.
Há quanto tempo eu não me conecto de verdade com alguém?
talvez eu tenha que recuperar a minha fé na humanidade para que eu possa amar alguém, abrir espaço no meu coração.
encontrar a pessoa certa parece um sonho distante...
será que um dia eu chegarei lá?
você já se sentiu com vontade de fugir da sua vida? Tirar um mês longe de tudo e de todos? Situações novas e pessoas novas? Recomeçar do zero? Infelizmente, não podemos fugir da nossa própria vida. De um jeito ou de outro, ela acaba nos encontrando.
É, talvez eu apenas me expresse bem por aqui.
Eu acho que nasci para alguma coisa. Isso significa que no fundo eu devo servir para alguma coisa. Talvez eu faça diferença para alguém. Talvez eu inspire alguém um dia. Talvez eu faça alguém feliz um dia.
Eu percebi, durante a caminhada, que fico tão absorta em meus pensamentos, que esqueço do mundo à minha volta. É como se eu apertasse um botão de off dentro de mim e me desligasse totalmente de tudo e de todos.
Então, eu resolvo que eu preciso me conectar ao que se passa ao meu redor. Preciso me conectar ao mundo em geral para depois criar uma conexão única com alguém especial.
Pensar nisso me abriu um leque de possibilidades. As pessoas podem ser inspiradoras...
eu passo por alguns botecos e salões de cabelereiros. Lugares de gente infeliz, eu penso.
O cara vai ao boteco para beber e esquecer dos problemas. Afogar as mágoas.
A mulher, possivelmente se sente da mesma forma no cabelereiro.
Ela faz as unhas, corta o cabelo, se depila e etc. Tudo para se sentir melhor. Porque quando nos sentimos bem cuidadas, temos a impressão de que estamos felizes.
FELIZES POR FORA...
E por dentro? Será que esssas pessoas estão radiantes?
O bêbado pelo menos admite que é infeliz!
Agora eu sei porque as pessoas se agarram tanto ao trabalho, aos estudos e outras ocupações em geral.
PARA DISFARÇAR O VAZIO!
Mas um belo dia, inevitavelmente, a bomba explode.
Temos medo de tudo. Temos medo de viver, temos medo de amar, do desconhecido.
E o medo nos paralisa. E nos torna passivos.
enquanto isso, o vazio cresce. enquanto isso, a vida passa.

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